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Steve Jobs — a biografia

18/01/2013

Steve Jobs era um grande filho da puta. Manipulador, tirano, brutal no trato com empregados, sádico e sem empatia. Era capaz de demitir toda uma divisão da Apple em uma convenção.

Ao menos é esta a impressão que você tem ao ler as primeiras 100 páginas de sua espetacular biografia escrita por Walter Isaacson.

À medida que você avança em sua história, no entanto, mais camadas de sua complexa e intensa persona vêm à tona e do meio para o fim do livro você já está comovido com a inevitabilidade de sua morte.

Há muitos detalhes sobre sua total falta de tato com o próximo, além de um amplo retrato das cataclísmicas revoluções e inovações feitas por ele na indústria da informática — que desdobraram-se em outras revoluções. Mas são os pequenos fatos de sua vida cotidiana que temperam e dão vívido sabor ao livro.

Por exemplo: Jobs chorava muito quando jovem. Decisões capitais, ou mesmo fatos irrelevantes como a decisão de qual número de crachá na Apple ele ostentaria — se número 1 (que acabou ficando mesmo com Wozniak. Ele ficou com o número zero) ou 2 — eram seguidos de intensa briga e posterior choro, com ele debulhando-se em lágrimas.

Ou: Jobs tinha uma tendência a tomar decisões ou fechar negócios enquanto fazia longas caminhadas com seu interlocutor em Palo Alto, nos quarteirões em torno de sua casa.

Mas o mais fascinante em todo o livro foi descobrir que a procura de Jobs por simplicidade e minimalismo nos produtos da Apple era, no fundo, uma extensão muito arraigada de sua personalidade: suas refeições, seus gostos estéticos, sua casa, tudo a sua volta era permeado de simplicidade e destituido de qualquer ostentação.

Talvez seja esta a grande lição que me fica do livro: Jobs sabia através desta simplicidade que as coisas levam a seus opostos; Que o prazer vinha da moderação e que grandes colheitas podem vir de lugares áridos.

É um grande livro sobre um homem admirável.

Doce derrota

16/01/2013

Não me considero um ‘adicto’ de videogames, mas é certo que carrego no DNA a cultura gamer. Meu filho, provavelmente, também. Não é surpresa, então, que um de nossos passatempos preferidos seja jogar juntos.

De um ano para cá, no entanto, o João simplesmente me deixou para trás em games que é ‘acer’, como em toda sequência dos criativos jogos da LEGO.

Primeiro, na coordenação e agilidade com o joystick: eu já não tenho suficientes reflexos e memória coordenativa para rivalizar com meu mestre ‘Gamer’ de 7 anos de idade. E segundo — e mais interessante — na inferência e lógica dos jogos.

O fascinante nos jogos da LEGO é que não é preciso apenas montar objetos para se progredir no jogo; É necessário também ‘montar’ elementos da narrativa para que se avance às fases seguintes.

OK, enquanto trabalho o João ‘treina’ em casa, mas é incrível que anos de tarimba como ‘Gamer’ não sejam suficientes para que eu me mantenha competitivo enquanto jogo ao seu lado. Há momentos, até, em que me sinto estúpido por não achar soluções para os enigmas do jogo como ele já o faz de forma simples e intuitiva.

À parte ser deixado para trás, há outro fascinante desdobramento em jogar ao seu lado: que é ver ilustrado como o jogo dá vazão ao fluxo de nossa inteligência na resolução de problemas.

Isto vem muito ao encontro de minha atual leitura, o fascinante livro “Everything Bad Is Good for You”, do americano Steven Johnson. Johnson argumenta que a despeito do conceito vago e genérico de que games são uma grande fonte de escapismo e perda de tempo, e — em casos extremos —instiga a violência, videogames são, de fato, um grande estimulante à criatividade. É, por exemplo, uma forma de entretenimento menos passiva que um desenho animado — além do que estimula o pensamento lógico e a objetividade.

Há também outros efeitos colaterais benéficos: nosso videogame tem sido uma bem-vinda fonte de socialização, como o ‘Jô’ engajado em jogos com amigos e primos.

Com o KINETIC, então, uma outra dimensão física abriu-se.

No momento há apenas uma classe de jogos em que ainda sou superior a meu filhote: os simuladores de corrida — talvez por que sejam jogos ligeiramente menos estimulantes e infinitamente mais tediosos que o LEGO, por exemplo.

Por enquanto, mas só por enquanto, ninguém domina o DIRT 2 em minha. Mas suspeito que só por enquanto…

James Morrison e o valor artístico da música Pop

12/04/2012
James morrinson father

“Fix the world up for You”, “This Boy” e ‘In My Dreams são singelas crônicas familiares que me fizeram um fã sensível de James Morrison.

James faz Pop do bom, temperado com a velha receita soul americana, sob forte influência de Stevie Wonder. Ele é um letrista habilidoso, cuidadoso com seus temas e criador melódico inspirado.

Tenho ouvido ‘The Awakening”, o último dos três álbuns.

É menos inventivo que os dois primeiros e me deu a impressão de que é uma tentativa de cristalizar sua posição como ídolo pop sem comprometer sua dignidade como artista.

Falo isto por que este é um dilema interessante ao qual Morrison parece atento.

Recordo-me que em um show para a BBC ele rebatia a quem sugeria ele ser um ‘produto’ das gravadoras. Para alguém já consagrado pela indústria e pelo público, a preocupação com o valor artístico de sua música é louvável.

Provavelmente, James enfrenta o atual dilema da super  produção mundial de conteúdo onde o valor do que é — ou não — arte parece cada vez mais subjetivo.

Pela massificação e over produção da música Pop, é compreensível seu dilema, mas basta ouvir “In My Dreams” — uma nostálgica elegia ao seu Pai alcoólatra que, como o meu, faleceu em 2011 — e você se convencerá de que é possível haver reflexão artística na honesta, descomplicada e singela música Pop de James Morrison.

E, afinal, é preciso respeitar um ‘artista’ que não usou a palavra ‘Love’ em nenhuma das canções de seu último álbum.

In My Dreams

A cena mais profunda da história do cinema.

25/01/2012

Eu nunca gostei de Muhammad Ali. Muito menos de Will Smith. Sempre achei Smith por demais ‘físico’ para a delicadeza camaleônica que se exige de um ator, enquanto Ali sempre foi um falastrão arrogante para o meu excesso pessoal de discrição.

Tudo isto até ‘Ali,’ o filme de Michael Mann com Smith.

Foi preciso a união dois para, ironicamente, surgir a mais profunda interpretação de exílio que eu já vi ou li.

Ao fim desta corrida errante pelas ruas de Kinshasa, Muhammad provavelmente se dá conta de sua condição de exilado.

Ele jamais estará em casa nesta cidade africana – onde ele estava para lutar com George Foreman. A única relação que ele partilha com estes homens que o seguem é a cor da pele. Nada mais.

Por mais irônico e doloroso que seja, é com os brancos que o oprimem lá longe na América que Ali divide verdadeiros laços culturais, como a língua que falam, por exemplo.

Assim como todos os exilados — voluntários ou involuntários — Muhammad está condenado a viver, para sempre, em um limbo: não se reconhece mais de onde veio; jamais conhecerá aonde vive.

Este limbo, que é o exílio, é um tema recorrente para mim — um refugiado voluntário em São Paulo — e sobre o qual venho coletando citações ao longo do tempo.

O escritor Edward Said tem uma em tom ensaístico que li em uma folheada no livro “Reflexões sobre o Exílio” que jamais a esqueci:

“O exílio nos compele estranhamente a pensar sobre ele, mas é terrível de experienciar. Ele é uma fratura incurável entre um ser humano e um lugar natal, entre o eu e seu verdadeiro lar: sua tristeza essencial jamais pode ser superada.

E, embora seja verdade que a literatura e a história contêm episódios heroicos, românticos, gloriosos e até triunfais da vida de um exilado, eles não são mais do que esforços para superar a dor mutiladora da separação.

As realizações do exílio são permanentemente minadas pela perda de algo deixado para trás para sempre.

— Edward Said em ‘Reflexões sobre o Exílio’”

A citação de Said me tocou na mesma proporção que um poema de Luiz Ruffato tratando do mesmo tema:

“Onde quer que estejas, em teu país
ou em outro, és estrangeiro: ninguém
tua língua compreende.
Só, o deserto
de estranhas veredas percorres.
Conservas, no entanto, dos primeiros anos
o albor, quando tua cidade, madrasta e mãe,
teus sonhos na noite fresca velava.
A grande mão que afagou-te esmaga o peito agora.
Ah! Somos apenas o que somos. Apenas.”

— Luiz Ruffato

Ruffato provavelmente vai mais fundo, sugerindo nossa condição íntima e psquíca de exilado neste mundão, mas é tocante que o poema comunique o mesma sentimento da linguagem usualmente afetada e acadêmica do ensaio.

Ainda assim, nada é tão sinteticamente pungente e visceral quanto este exílio de Cassius Clay, transmitido na cena do filme de Mann.

Engenho e Arte

27/09/2011

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Dizem que um dos maiores projetistas da F1, o genial Adrian Newey, ficou emputecido com este vídeo acima. Graças a uma simples filmagem amadora, os detalhes do intrincado assoalho do seu poderoso carro de F1 ficaram aparentes para cópia.

Não há direitos autorais na F1, daí a compreensível birra de Newey, mas à parte o debate sobre espionagem, há algo de extremamente tocante neste vídeo.

Há uma comovente reverência à máquina, um mix de fascinação juvenil e veneração religiosa explicito na forma como as pessoas a circundam e tocam. É uma adoração que vi apenas diante de obras de artes consagradas, como da Capela Sistina ou do Pensador de Rodin.

Isto me levou — obviamente — a outra digressão, que é quanto o valor da tecnologia como obra de arte no mundo de hoje.

Depois da imortalização da lata de Sopas Campbel por Andy Warhol, somos todos artistas, o que significa que o pós-modernismo de Warhol talvez tenha banalizado o valor da manufatura e da técnica, diluindo no processo o apelo sagrado da arte.

Hoje, a arte é alcançável, mas a sofisticação da alta engenharia, não.

Isto é curioso por que o homem responsável pela maior empresa de tecnologia do mundo, Steve Jobs da Apple, acredita piamente que as inovações mais duradouras são frutos de um casamento harmônico entre ciência e arte, exatas e humanidades.

Lembro bem da epifania que tive ao ter um iPad nas mãos pela primeira vez. Era quase inconcebível que apenas aquela tela plana e diminuta pudesse condensar tanto conteúdo e tantas… obras de arte em seu interior.

Teria a tecnologia tomado o lugar da arte como expressão do que de mais profundo e sagrado produz o homem? Não sei, mas a adoração e culto daqueles homens àquela maquina produzida pelo grande artista que é Adrian Newey, é o mais próximo que se pode chegar da veneração que se observa por museus mundo afora.

Talvez eu tenha ido longe demais em minha digressão, e a fronteira entre arte e tecnologia continue indivisível, mas não é mera obra do acaso que Adrian Newey tenha nascido em Stratford upon Avon, a mesma cidade de William Shakespeare.

Facebook vs Blog pessoal

28/07/2011

Dias atrás eu li o comentário de um desses gurus da blogosfera chamado Nick Denton preconizando o fim da blogosfera como ela foi rascunhada anos atrás. No Brasil, provavelmente, a blogosfera jamais existiu como pensada no seu início lá fora – um bastião da liberdade de escrita e opinião, e meio alternativo ao jornalismo pasteurizado e sob o cabresto da indústria da informação.

Lembro-me bem que no auge do hype, blogar era uma febre visceral e viciante, e quem tinha o seu espacinho mundano nos recantos da internet adorava pontificar sobre tudo e todos.

Ninguém percebe isto, mas o Facebook é hoje o que de mais próximo se pode ter do que fora, em seu auge, os blogs.

Atados a nossos contatos, temos uma grande diversidade de opinião e, ás vezes, sofisticados e interessantes comentários a respeito de um vasto repertório de acontecimentos, fatos, idiossincrasias e bobagens.

O trágico e o maravilhoso para mim: postar nonsenses e interagir no Facebook me desviou do prazer de um dia escrever e ‘ordenar’ meu próprio conteúdo, no meu próprio blog.

À parte isso, devo confessar que a leitura diária de comentários estimula à reflexão e surgem comentários como este, sobre o prazer de ser corintiano:

O Futpédia da Globo tem um número estatístico curioso a respeito do confronto São Paulo e Corinthians no Morumbi que é interessante como observação histórica.

Foram 103 jogos dentro do estádio do São Paulo, com 31 vitórias para o Corinthians, 26 para o São Paulo e 46 empates.

O Curíntia marcou 115 gols no São Paulo e tomou 113.

O link:

http://futpedia.globo.com/confronto/corinthians-x-sao-paulo#/anoInicio=1933/anoFim=2011/campeonato=-1/agregador=-1/estadio=282

 Moral da história: não adianta ter a posse de um grande estádio se não se faz valer sua pretensa vantagem jogando dentro de sua PRÓPRIA casa.

 Sobre a história do Corinthians, há uma história que todo corintiano deveria se orgulhar: na início da década de 80, quando este país estava sob a ditadura militar, o Corinthians estampava nas suas Camisas “Diretas Já” ou “”Eu quero votar para Presidente”.

 Este protesto era extensão de um movimento interno, famoso até, chamado “Democracia Corintiana”.

Provavelmente nenhum clube no Brasil transcendeu sua posição de simples clube de futebol para se envolver, ‘diretamente’, na história de seu próprio país.

O Corinthians fez isto e talvez só tenha feito isto por que tem o poder da grande massa ao seu lado.

Quantas Libertadores o Corinthians tem? Niente, mas há mais motivos para se orgulhar de ser corintiano do que ter uma Libertadores ou Campeonatos Mundiais.

Descontada a incontida paixão corintiana, a reflexão valeu na medida que foi uma reação ao conteúdo gerado por um dos meus contatos no ‘Face’.

No Brasil a blogosfera é natimorta, dado o fato de que já nasceu refém e infestada pelos mesmos “big shots” da indústria midiática tupiniquim, profissionais do ramo com os mesmos vícios e interesses trazidos da velha mídia estabelecida.

A tragédia: provavelmente muito conteúdo bom e reflexões interessantes estarão lacrados, dentro do universo particular que é o Facebook.

1984…

08/02/2011

A Motorola resolveu comprar briga com a Apple no emergente e concorrido mercado de tablets. Impossível saber até onde um “gadget” de oitocentas doletas, como é o novíssimo Xoom, terá fôlego para competir com o sistema OS de Steve Jobs e com todo o “gramur” em torno do cultuado tablet da Apple.

Mas o que eu sei é que ao menos a agência da Motorola teve culhões para criar um anúncio cheio de referências culturais cruzadas.

Os caras da Weber Shandwick criaram um anúncio que faz referência ao já icônico comercial da própria Apple de 1984 (ano do lançamento do primeiro Macintosh), que por sua vez já fazia referência ao libelo anti totalitarismo “1984” de George Orwel.

Em meio a uma multidão de Zumbis, um garoto lê “1984” no seu Xoom — uma tentativa meio subliminar de “desalienar” o potencial consumidor de tablets, dizendo: “há opções na prateleira, meu filho!”

O mais curioso é que a ideia de dar liberdade e opção ao consumidor, implícita no anúncio da Motorola, é uma alfinetada na paranóia de Steve Jobs com os mecanismos de segurança do iPad, onde, formalmente, não se pode ter acesso à pornografia ou a mídias sem procedência.

Não sei até onde vai a luta de foices dos tablets, mas ao menos na publicidade a briga promete gerar boas peças.

 

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