As três vezes em que eu vi “Seu Jorge”
Em um curto espaço de menos de um mês eu vi o cantor “Seu Jorge” três vezes.
A primeira foi no Parque da Água Branca aqui em São Paulo. Seu Jorge estava com a sua família e eu com a minha. Enquanto eu fotografava o nosso filho brincando com alguns pombos, seu Jorge estourava biribinhas para a sua filha. Ele parecia relaxado, moleque, absorto naquelas pequenas traquinagens diante da filha.
A segunda vez que eu vi Seu Jorge foi na Band, enquanto ele dirigia-se para os estúdios das rádios. Ele carregava apenas o seu violão e parecia, pela maneira vacilante como andava e pelos olhos enormes e curiosos, intimidado e deslocado até a raiz da alma, acompanhado de alguém que parecia guiá-lo em direção aos estúdios.
A terceira vez que vi Seu Jorge não foi pessoalmente, mas na TV, em uma entrevista para o Jô Soares. Depois de uma leve e bem humorada acomodação, Seu Jorge começou a discursar sobre o fato de hoje lidar bem com o seu “complexo de inferioridade”. Naquele momento, inconscientemente, eu mudei de canal em busca de algum noticiário de fim de noite.
O que eu desejava inconscientemente, hoje eu percebo, é preservar as duas primeiras impressões que ficaram de Seu Jorge na minha retina, principalmente a segunda. Foi nela que eu intui que Seu Jorge é dos poucos cantores hoje no Brasil que podem verdadeiramente ser chamado de artista no sentido óbvio do sujeito que produz ARTE genuina e que não tem a mínima intimidade com o Show Business, o meio pelo qual a arte deveria ser “promovida.”
Seu Jorge, antes de ser artista, já foi borracheiro, faxineiro, vendedor e pedreiro. Mas é quando ele canta e ouve-se o timbre de sua voz que percebe-se que aquele sujeito não nasceu para nada que não fosse exatamente aquilo, cantar.
Obviamente você já deve ter ouvido, ou lido, alguém discursar sobre o sentido etimológico da palavra “vocação”, que em um sentido grosseiro quer dizer “chamamento”. Seu Jorge é a exata medida que há no sentido profundo da palavra vocação. Nada, nem ninguém, jamais poderiam desviá-lo dessa rota e do caminho de se tornar o grande artista que ele é hoje.
Becken,
não tiro nem ponho. Cômodo, né?
Brincadeira… Seu Jorge é um grande artistas, e como poucos que conhecemos, também como ele, deve ser tratado como um achado, uma jóia rara.