Eu e o João vimos Enrolados da Disney na semana passada. Apesar do filme estar arrebentando nas bilheterias, há sempre o temor de que a Disney tempere seus filmes estrelados por heroínas com kitschs “princesismos”, mas o Enrolados tem a mão firme do CEO da Pixar, John Lasseter, guiando a produção.
Com Lasseter no comando, é garantido que tenhamos a aventura radical e o humor físico necessários à testosterona dos garotos, assim também como o romantismo e a beleza necessários à sensibilidade das meninas.
Para quem acompanha com atenção a produção de Pixar e Disney em paralelo, é fácil notar como Lasseter reforçou e modernizou os valores da Disney — tradição caramelizada com “Encanto e Magia” — sem fazê-la competir com a Pixar, que se mantém inovadora, moderna e desafiadora em seus projetos.
O filme é bom, uma clara evolução de Chicken Little e a Família do Futuro, filmes em que a Disney parecia mais “encantada” com a recém adotada animação 100% digital do que comprometida com um roteiro conciso e inteligente.
Há até uma pequena subversão a la Dreamworks: o modelo do Príncipe Encantado da versão clássica de Rapunzel é transformado em um malandrinho com consciência.
Se você for ver no Cinema, veja em 3D. A cena das lanternas abaixo, vista em três dimensões, é uma das mais belas que eu vi em filmes de animação nos últimos tempos.