Bairro novo

Há dois meses mudamos de casa. Vida nova em casa nova e bairro novo. Até eu absorver um pouco  a essência desse lugar demorará um pouco, algo natural. Mas até eu ir me encaixando nos modos e manias desse novo bairro e das pessoas que por aqui moram, primeiro vou me deixando levar pela estranheza.

A primeira que salta aos olhos é a quantidade de salões de beleza que existe por metro quadrado no bairro. Na rua que dá acesso ao nosso prédio há dois, e um ao lado do outro.  Na rua do prédio da avó do João há mais três. Nas ruas paralelas mais três. Arrisco dizer que em todo o bairro exista talvez de 20 a 25 salões de beleza.

Em contraste, há apenas três bancas de jornal nesse mesmo amontado de ruas.

Os cínicos dirão que a preocupação com o que vai em cima da cabeça é maior do que com o que vai dentro. Um economista dirá que esse número é apenas o resultado do subemprego galopante no subúrbio.

Ao menos Platão, aquele mesmo, o filósofo grego,  estaria  ao lado de quem freqüenta os salões: para ele todo homem (e mulher) deveria aspirar ser digno e, principalmente, ser belo.

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