Nesta longa Estrada da vida

Vi ontem, em DVD, o pós apocaliptico “A Estrada”. É um filmaço: a versão “in motion” do homônimo romance do escritor americano Cormac Mccarthy. O super escritor americano narra a jornada de Viggo Mortensen, um pai que guia seu filho (Kodi Smit-McPhee) através de uma dantesca e devastada América.

Claro que, imediatamente, me tocou ver a determinação do pai na luta pela sobrevivência do garoto ou mesmo o cuidado com sua higiene — cuidados ordinários sob responsabilidade de qualquer pai.

Sua existência é permeada pela constante paranóia de ver-se caçado pelos canibais em que se transformaram os sobreviventes da hecatombe que vagam famintos pelo “agreste” e desolado cenário do filme. Em um certo momento é tênue a diferença entre ele e os “bad guys” dos quais foge.

Apenas uma digressão pseudo-literária metida a besta, mas é curioso falar em “agreste” porque em nenhum momento descobrimos os nomes de pai, filho e mãe — a mãe que os abandonou e rumou só para o sul. Isto me lembra que no “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, alguns personagens também são anônimos: O Menino Mais Velho e o Menino Mais Novo.

Será que Cormac Mccarthy leu Graciliano? Duvido…

É um grande filme e, como pai, me comoveu ver a extrema ingenuidade de um garoto de 10 anos que cresceu sem as benesses de uma civilização — assim como alguns outros no Nordeste ou nos confins da India.

A cena em que doente o pai chora em face dos últimos momentos na companhia do garoto é emocionalmente excruciante.

Sou péssimo e sem muita imaginação para metáforas ou analogias, mas uma a se destacar entre muitas ali é que o filme no fundo trata da dura Estrada que é levar a vida adiante com filhos. Por mais que imponha-se barreiras, é uma batalha cotidiana protegê-los deste mundo devorador e  cada vez mais devastado.

6 comentários sobre “Nesta longa Estrada da vida

  1. Olá, Leandro.

    Sou um blogueiro de F1 aposentado, mas aqui posso escrever esporadicamente, sem o compromisso de me ater ao noticiário diário da F1. Impus a tarefa pessoal de escrever um post por semana aqui, focando principalmente experiências sobre paternidade.

    É tudo coisa leve e sem compromisso mesmo. O intento á apenas me divertir e continuar ativo escrevendo.

    Abs

  2. Olá BEcken
    PArabéns pelo blog…achei MUITO interessante seus textos…já acompanhava o f1 around…e me vi muito contente qndo vi que você continua escrevendo…mesmo sendo sobre varios assuntos fora do mundo da f1
    acho que você consegue inserir pontos de vista muito legais…
    continue assim…..sem compromisso se divertindo e continuando a escrever

  3. Becken,

    Reli hj o post de despedida do F1Around. Li todos os comentários…..
    Cara, me peguei com um nó na garganta…uma sensação estranha de perda…

    É impressionante, eu me identifico muito com a sua escrita. Ela é direta, coesa, mas tem um tom tão acolhedor…sei lá.

    Na época do F1around, eu lia todo mundo, mas só comentava lá. E eu achava que era por puro comodismo. Mas não era. Era por que era lá que eu me identificava. Era lá que eu me enxergava nas linhas escritas.

    O Blog dos meninos, o ultrapassagem, eu leio todo dia. Mas não consigo comentar… A narrativa é diferente. Embora o trabalho seja legal, mas não é a “minha casa”. Me sinto visita.

    Hj reli o Ordinarium, e Eureka….é a sua escrita. Eu me identifco muito com ela. É por isso que me sinto acolhido.
    Então meu caro amigo, quando vc escrever um livro, pode saber que serei seu leitor.
    Se vc escrever receita de bolo, serei seu leitor.
    Bula de remédio, serei seu leitor.

    Não sei como é sua carreira como Designer, mas se um dia vc quiser mudar de carreira, pense em escrever comercialmente….ao menos um leitor vc já tem.

    Fernando.

    Ps – não consegui escrever até hj um Comment de despedida do F1around. Sempre que começo…fico tímido e fujo. Eu falo por mim, fiquei órfão.

  4. Uau, Fernando… Muito bacana seu comentário. Obrigado pelas palavras que me envaidecem, o que significa que, afinal, eu tenho um estilo.🙂

    Abração.

    P.S – Prometo estar mais ativo por aqui no futuro!

  5. Caro Becken,

    Saudades do F1Around….

    Às vezes passo por aqui, e quando há novidades leio.

    Como Fernando também sinto muita saudades do F1Around, onde de fato sempre me senti em casa.

    Como ressaltei no texto de criação do ultrapassagem, jamais teríamos a intenção de substituir o F1Around, afinal o que fazia aquele lugar tão especial era o seu talento, tão raro no mercado.

    Continuo a desejar que a parada do F1Around seja temporária, mas me sinto feliz ao ler sua resposta para o Leandro.

    Apesar da paixão que tenho (temos….) a F1 não merece ser uma priordade em nossas vidas. Família sim é a grande razão de estarmos vivos e tentarmos melhorar a cada dia.

    Eu não entendia como você conseguia manter aquilo tudo funcionando com a intensidade que existia. Sem dúvida sua parada foi sensata.

    Uma vez você escreveu no meio de um post, que no almoço do dia das mães (ou páscoa, não lembro bem…) teve um insigth sobre “tal assunto da F1”. Eu pensei comigo : esse cara não para de pensar nisso nem num almoço com a família !

    Fico feliz em ver você escrever sobre paternidade, família….espero comentar aqui algumas experiências que tenho com três filhos maravilhosos e um casamento abençoado por Papai do Céu, que já dura 12 anos…

    Um forte abraço amigo,

    Sirlan Pedrosa

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