Facebook vs Blog pessoal

Dias atrás eu li o comentário de um desses gurus da blogosfera chamado Nick Denton preconizando o fim da blogosfera como ela foi rascunhada anos atrás. No Brasil, provavelmente, a blogosfera jamais existiu como pensada no seu início lá fora – um bastião da liberdade de escrita e opinião, e meio alternativo ao jornalismo pasteurizado e sob o cabresto da indústria da informação.

Lembro-me bem que no auge do hype, blogar era uma febre visceral e viciante, e quem tinha o seu espacinho mundano nos recantos da internet adorava pontificar sobre tudo e todos.

Ninguém percebe isto, mas o Facebook é hoje o que de mais próximo se pode ter do que fora, em seu auge, os blogs.

Atados a nossos contatos, temos uma grande diversidade de opinião e, ás vezes, sofisticados e interessantes comentários a respeito de um vasto repertório de acontecimentos, fatos, idiossincrasias e bobagens.

O trágico e o maravilhoso para mim: postar nonsenses e interagir no Facebook me desviou do prazer de um dia escrever e ‘ordenar’ meu próprio conteúdo, no meu próprio blog.

À parte isso, devo confessar que a leitura diária de comentários estimula à reflexão e surgem comentários como este, sobre o prazer de ser corintiano:

O Futpédia da Globo tem um número estatístico curioso a respeito do confronto São Paulo e Corinthians no Morumbi que é interessante como observação histórica.

Foram 103 jogos dentro do estádio do São Paulo, com 31 vitórias para o Corinthians, 26 para o São Paulo e 46 empates.

O Curíntia marcou 115 gols no São Paulo e tomou 113.

O link:

http://futpedia.globo.com/confronto/corinthians-x-sao-paulo#/anoInicio=1933/anoFim=2011/campeonato=-1/agregador=-1/estadio=282

 Moral da história: não adianta ter a posse de um grande estádio se não se faz valer sua pretensa vantagem jogando dentro de sua PRÓPRIA casa.

 Sobre a história do Corinthians, há uma história que todo corintiano deveria se orgulhar: na início da década de 80, quando este país estava sob a ditadura militar, o Corinthians estampava nas suas Camisas “Diretas Já” ou “”Eu quero votar para Presidente”.

 Este protesto era extensão de um movimento interno, famoso até, chamado “Democracia Corintiana”.

Provavelmente nenhum clube no Brasil transcendeu sua posição de simples clube de futebol para se envolver, ‘diretamente’, na história de seu próprio país.

O Corinthians fez isto e talvez só tenha feito isto por que tem o poder da grande massa ao seu lado.

Quantas Libertadores o Corinthians tem? Niente, mas há mais motivos para se orgulhar de ser corintiano do que ter uma Libertadores ou Campeonatos Mundiais.

Descontada a incontida paixão corintiana, a reflexão valeu na medida que foi uma reação ao conteúdo gerado por um dos meus contatos no ‘Face’.

No Brasil a blogosfera é natimorta, dado o fato de que já nasceu refém e infestada pelos mesmos “big shots” da indústria midiática tupiniquim, profissionais do ramo com os mesmos vícios e interesses trazidos da velha mídia estabelecida.

A tragédia: provavelmente muito conteúdo bom e reflexões interessantes estarão lacrados, dentro do universo particular que é o Facebook.

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