“Fix the world up for You”, “This Boy” e ‘In My Dreams são singelas crônicas familiares que me fizeram um fã sensível de James Morrison.

James faz Pop do bom, temperado com a velha receita soul americana, sob forte influência de Stevie Wonder. Ele é um letrista habilidoso, cuidadoso com seus temas e criador melódico inspirado.

Tenho ouvido ‘The Awakening”, o último dos três álbuns.

É menos inventivo que os dois primeiros e me deu a impressão de que é uma tentativa de cristalizar sua posição como ídolo pop sem comprometer sua dignidade como artista.

Falo isto por que este é um dilema interessante ao qual Morrison parece atento.

Recordo-me que em um show para a BBC ele rebatia a quem sugeria ele ser um ‘produto’ das gravadoras. Para alguém já consagrado pela indústria e pelo público, a preocupação com o valor artístico de sua música é louvável.

Provavelmente, James enfrenta o atual dilema da super  produção mundial de conteúdo onde o valor do que é — ou não — arte parece cada vez mais subjetivo.

Pela massificação e over produção da música Pop, é compreensível seu dilema, mas basta ouvir “In My Dreams” — uma nostálgica elegia ao seu Pai alcoólatra que, como o meu, faleceu em 2011 — e você se convencerá de que é possível haver reflexão artística na honesta, descomplicada e singela música Pop de James Morrison.

E, afinal, é preciso respeitar um ‘artista’ que não usou a palavra ‘Love’ em nenhuma das canções de seu último álbum.

In My Dreams

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