Doce derrota

Não me considero um ‘adicto’ de videogames, mas é certo que carrego no DNA a cultura gamer. Meu filho, provavelmente, também. Não é surpresa, então, que um de nossos passatempos preferidos seja jogar juntos.

De um ano para cá, no entanto, o João simplesmente me deixou para trás em games que é ‘acer’, como em toda sequência dos criativos jogos da LEGO.

Primeiro, na coordenação e agilidade com o joystick: eu já não tenho suficientes reflexos e memória coordenativa para rivalizar com meu mestre ‘Gamer’ de 6 anos de idade. E segundo — e mais interessante — na inferência e lógica dos jogos.

O fascinante nos jogos da LEGO é que não é preciso apenas montar objetos para se progredir no jogo; É necessário também ‘montar’ elementos da narrativa para que se avance às fases seguintes.

OK, enquanto trabalho o João ‘treina’ em casa, mas é incrível que anos de tarimba como ‘Gamer’ não sejam suficientes para que eu me mantenha competitivo enquanto jogo ao seu lado. Há momentos, até, em que me sinto estúpido por não achar soluções para os enigmas do jogo como ele já o faz de forma simples e intuitiva.

À parte ser deixado para trás, há outro fascinante desdobramento em jogar ao seu lado: que é ver ilustrado como o jogo dá vazão ao fluxo de nossa inteligência na resolução de problemas.

Isto vem muito ao encontro de minha atual leitura, o fascinante livro “Everything Bad Is Good for You”, do americano Steven Johnson. Johnson argumenta que a despeito do conceito vago e genérico de que games são uma grande fonte de escapismo e perda de tempo, e — em casos extremos —instiga a violência, videogames são, de fato, um grande estimulante à criatividade. É, por exemplo, uma forma de entretenimento menos passiva que um desenho animado — além do que estimula o pensamento lógico e a objetividade.

Há também outros efeitos colaterais benéficos: nosso videogame tem sido uma bem-vinda fonte de socialização, como o ‘Jô’ engajado em jogos com amigos e primos.

Com o KINETIC, então, uma outra dimensão física abriu-se.

No momento há apenas uma classe de jogos em que ainda sou superior a meu filhote: os simuladores de corrida — talvez por que sejam jogos ligeiramente menos estimulantes e infinitamente mais tediosos que o LEGO, por exemplo.

Por enquanto, mas só por enquanto, ninguém domina o DIRT 2 em minha casa. Mas suspeito que só por enquanto…

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Natal com Wii

Como foi o seu Natal? Por aqui, in ‘my office,’ a rapaziada já anda reclamando que ganhou peso nas ceias de Natal mundo afora.

Afortunadamente, eu me mantive na linha, moderando meus apetites e peso, mas houve uma ajudinha coincidentemente providencial: o Wii!

Sim, ele mesmo, o maravilhoso videogame da Nintendo que nos manteve em movimento e beeeeem longe da “party food” de fim de ano.

Jogamos, ininterruptamente, de sábado a domingo, o Wii Sports, principalmente o Tennis. Com o meu estilo clássico, me senti o próprio “Federer virtual,” mas acabei trucidado pelo “Nadal” que, rapidamente, tornou-se meu cunhado.

Então, aí vai a dica: à “suruba gastronômica” de fim de ano, acrescente um Wii e muito movimento.

Switch Pitch

Há mais ou menos uma semana atrás, enquanto estávamos na PBKids comprando mais um carrinho/personagem do filme Carros para o João, me chamou a atenção uma esfera verde e laranja no balcão. A Esfera tinha reentrâncias em seu interior, além de uma série de hastes internas conectadas de maneira muito precisa. Ao pegá-la e arremessá-la ao alto, me surpreendi ao notar que as hastes se movem de maneira a girar as superfícies da esfera para dentro substituindo-as por outras que estavam no interior da esfera.

Para evitar dar um nó no cérebro lendo essa pobre explicação literal, clique aqui.

A verdade é que eu fiquei extremamente fascinado com essa esfera, chamada switch pitch. Tão fascinado que não me contive e em um daqueles impulsos consumistas comprei-a no ato.

A minha fascinação pelo brinquedo é que à primeira vista ele parece uma criativa mistura de um objeto de arte moderna e equação matemática, fascinação que obviamente ainda não está acessível ao João. O movimento de todo o mecanismo que permite que você o vire do avesso assemelha-se muito a construção de um objeto fractal.

Em uma pesquisa rápida e superficial na internet, eu descobri que o Switch Pitch é uma criação de um Designer chamado Chuck Hoberman, e que suas criações, chamadas de Design Transformável, tanto podem ser úteis para calibrar radares que estudam a ionosfera, como também para criar objetos artesanais e brinquedos inofensivos.

O João num primeiro segundo adorou pela surpresa que o brinquedo representa, mas o brinquedo não reteve a sua atenção intermitente por muito tempo, pois no fundo a sua interação com ele resume-se a arremessá-lo para o alto ou mesmo com as mãos virar-lhe literalmente do avesso.

O Switch Pitch custa R$ 15,00 na PBKids. Não será educativo para o filho de ninguém em um primeiro momento, mas você, pai ou mãe, ao mínimo ficará dias fascinado e imaginando o quanto um brinquedo inofensivo pode conter de conhecimento e matemática em sua estrutura.