1984…

A Motorola resolveu comprar briga com a Apple no emergente e concorrido mercado de tablets. Impossível saber até onde um “gadget” de oitocentas doletas, como é o novíssimo Xoom, terá fôlego para competir com o sistema OS de Steve Jobs e com todo o “gramur” em torno do cultuado tablet da Apple.

Mas o que eu sei é que ao menos a agência da Motorola teve culhões para criar um anúncio cheio de referências culturais cruzadas.

Os caras da Weber Shandwick criaram um anúncio que faz referência ao já icônico comercial da própria Apple de 1984 (ano do lançamento do primeiro Macintosh), que por sua vez já fazia referência ao libelo anti totalitarismo “1984” de George Orwel.

Em meio a uma multidão de Zumbis, um garoto lê “1984” no seu Xoom — uma tentativa meio subliminar de “desalienar” o potencial consumidor de tablets, dizendo: “há opções na prateleira, meu filho!”

O mais curioso é que a ideia de dar liberdade e opção ao consumidor, implícita no anúncio da Motorola, é uma alfinetada na paranóia de Steve Jobs com os mecanismos de segurança do iPad, onde, formalmente, não se pode ter acesso à pornografia ou a mídias sem procedência.

Não sei até onde vai a luta de foices dos tablets, mas ao menos na publicidade a briga promete gerar boas peças.

 

Imagem e ação

Um dia ainda vou escrever um texto “bão” sobre fotografia e Formula 1, duas de minhas paixões viscerais. Mas hoje vai aqui apenas esta dica para quem curte a McLaren: se você é torcedor, fique sempre atento ao trabalho de Patrick Gosling, um dos fotógrafos que cobrem de muito perto a equipe.

Gosto de fotógrafos de F1 com certo viés artístico, como Daren Heath ou Paul-Henri Cahier, mas o que gosto em Goslin é a multiplicidade de temas no seu portfólio — o que demonstra uma grande versatilidade e capacidade de adaptação ao “briefing” que lhe é dado.

Ele faz tudo muito bem. Trafega pelo institucional e vai do editorial esportivo ao publicitário em um clique.

As fotos oficiais do lançamento do MP4-26, em Berlin, por exemplo, são do homem.

Neste clique bacana abaixo está ele, o próprio Goslin, ninando o MP4-26 dentro de um Antonov AN26, a 22 mil pés de altura a caminho do lançamento em Berlin.

Uma bela imagem que sintetiza a vida itinerante de fotógrafo, uma profissão que permite criar conceitos visuais e fazer arte ali, no front, no coração da ação.

SITE de Patrick Goslin: www.patrickgosling.com

127 horas

Ontem vi “127 hours”. É bom filme com bela edição e atuação soberba do menino James Franco, mas até aí ser indicado ao Oscar, hummmm…

Ok, admito que transformar o atroz e doloroso confinamento de Aron, preso em uma minúscula fenda no meio de um deserto em um filme de quase duas horas, é tarefa para diretor “bão” — exatamente como o Boyle.

Os flashbacks existenciais são primorosos e achei absolutamente criativa a transliteração — do livro para o cinema — da exaustão física e emocional do personagem. Ainda assim fique com a sensação de que, pela indicação ao Oscar, o filme ficou devendo.

127 foi o terceiro dos 10 indicados que vi até agora. Minha maratona continua nos próximos dias com o super indicado “The King´s Speech.”

TRAILER DE 127 HORAS

Quando Leonardo di Caprio encontra Richard Dawkins

Vi até agora 40 minutos de “Inception,” ou a Origem, como resolveram ridiculamente chamá-lo aqui no Brasil. Até agora tudo bem, tudo muito inteligível.

Estou esperando o filme enrolar-se, como uma cebola, em seus sonhos múltiplos, mas a única ideia que ele me “inceptou” na cabeça foi a referência ao conceito de “meme”, cunhado por Richard Dawkins no distante 1976 através do clássico Gene Egoísta.

A “ideia” de que uma “ideia” — uma meme — é um parasita resiliente faz eco com o conceito geral da meme: uma unidade de informação transmitida de mente a mente através das leis gerais da evolução e adaptação concebidas por Charles Darwin.

Eu li o livro há muito tempo e a primeira reação foi vasculhar o Google para ver se alguém não captou a mesma referência. Há 1.040 resultados para a associação dos termos Dawkins+Caprio — o que demonstra a minha pouca originalidade como assimilador de signos pop.

Adorei o fim aberto do filme, mas de tudo, adorei Cobb/Caprio no submundo, sonhando as memórias felizes com sua família, uma sugestão de que o realismo mágico dos sonhos é infinitamente mais atraente que nossa vã realidade…

 

Vendo ‘Enrolandos’ da Disney

Eu e o João vimos Enrolados da Disney na semana passada. Apesar do filme estar arrebentando nas bilheterias, há sempre o temor de que a Disney tempere seus filmes estrelados por heroínas com kitschs “princesismos”, mas o Enrolados tem a mão firme do CEO da Pixar, John Lasseter, guiando a produção.

Com Lasseter no comando, é garantido que tenhamos a aventura radical e o humor físico necessários à testosterona dos garotos, assim também como o romantismo e a beleza necessários à sensibilidade das meninas.

Para quem acompanha com atenção a produção de Pixar e Disney em paralelo, é fácil notar como Lasseter reforçou e modernizou os valores da Disney — tradição caramelizada com “Encanto e Magia” — sem fazê-la competir com a Pixar, que se mantém inovadora, moderna e desafiadora em seus projetos.

O filme é bom, uma clara evolução de Chicken Little e a Família do Futuro, filmes em que a Disney parecia mais “encantada” com a recém adotada animação 100% digital do que comprometida com um roteiro conciso e inteligente.

Há até uma pequena subversão a la Dreamworks: o modelo do Príncipe Encantado da versão clássica de Rapunzel é transformado em um malandrinho com consciência.

Se você for ver no Cinema, veja em 3D. A cena das lanternas abaixo, vista em três dimensões, é uma das mais belas que eu vi em filmes de animação nos últimos tempos.

Natal com Wii

Como foi o seu Natal? Por aqui, in ‘my office,’ a rapaziada já anda reclamando que ganhou peso nas ceias de Natal mundo afora.

Afortunadamente, eu me mantive na linha, moderando meus apetites e peso, mas houve uma ajudinha coincidentemente providencial: o Wii!

Sim, ele mesmo, o maravilhoso videogame da Nintendo que nos manteve em movimento e beeeeem longe da “party food” de fim de ano.

Jogamos, ininterruptamente, de sábado a domingo, o Wii Sports, principalmente o Tennis. Com o meu estilo clássico, me senti o próprio “Federer virtual,” mas acabei trucidado pelo “Nadal” que, rapidamente, tornou-se meu cunhado.

Então, aí vai a dica: à “suruba gastronômica” de fim de ano, acrescente um Wii e muito movimento.

‘Person of the Year’ para Mark Zuckerberg

Alguém tinha dúvida? O tradicional “Person of the Year” da TIME Magazine ficou mesmo com Mark Zuckerberg: o menino que conectou mais de 500 milhões de pessoas ao redor do mundo, redefiniu os conceito de privacidade e interconectividade e ainda foi, de lambuja, personagem de um belo filme.

O filme é bom, talvez permeado de certo maniqueísmo e bem esquemático quando tenta explicar as motivações de Mark, mas ainda assim é o melhor retrato desta novíssima geração 2.0 (você, eu, nós?)

Esqueçam a intenção dos autores em transformar Zuckerberg em um vilão tecnosoft, um clichê que sempre recai nos miliardários ligados ao mundo geek — como Bill Gates, Sergey Brin ou até mesmo Steve Jobs. Mas o mais bacana mesmo no filme é entender o quanto o moleque é determinado, focado, eficiente e leal a sua proposta de transformar o site em algo apenas “cool”…

Ele nunca se rende a intenção de seu sócio mor, o magoado Eduardo Saverin, em capitalizar o seu site a cada 100 mil usuários.

Assistam o filme e leiam a matéria da TIME. Vale a pena!

TIME: http://bit.ly/fIJcE8